Timeu de Locros: sobre a alma do mundo e da natureza
Pseudo-Platão / Pseudo-Timeu de Locros
(Tradução para o português)

Timeu de Locros: sobre a alma do mundo e da natureza Pseudo-Platão Tradução, notas e edição: Hudson C. S. de Souza Edição trilíngue: português, grego antigo e latim © 2025, 1ª edição, 101 p., Editora Appris ISBN (livro físico) : 978-65-250-8137-3
A tradução da única obra do corpus platônico que ainda inexistia em português representa mais uma etapa do projeto de indexação de toda a filosofia antiga em nossa língua.
A obra Timeu de Locros, ainda que considerada espúria há séculos, como muitas outras do corpus, desapareceu das traduções contemporâneas denominadas “Obras Completas de Platão“. Possivelmente, tal omissão ocorra do fato de as traduções realizadas desde o início do século XX terem como base a edição grega de Burnet (1900), que suprimiu o texto, sem qualquer justificativa. No entanto, Timeu de Locros integra a edição de referência anterior, a de Bekker (1826), visto que esse considerou na integralidade, como muitos outros autores de edições anteriores, a conhecida edição Stephanus (1578), da qual a obra faz parte (v. III, p. 93-105). A saber, a mencionada edição de Stephanus permanece até hoje como referência universal para as obras de Platão (incluindo textos originais e apócrifos), por estabelecer a conhecida numeração ou paginação Stephanus.
A tradução foi realizada a partir do texto estabelecido na edição Bekker (1826), ainda que a edição mais recente do texto seja a elaborada por Marg (1972). Como esta última ainda não se encontra em domínio público, optou-se por traduzir e reproduzir a citada edição Bekker, e anotar as diferenças entre ambas, as quais se referem, em sua maioria, a variações dialetais e sinais de pontuação. Todavia, quando constatada que a diferença entre as edições produziu resultados distintos para a compreensão da passagem, ambas as traduções foram realizadas.
Vista a notória dificuldade da tradução do grego antigo para línguas modernas, foi disponibilizado um considerável volume de notas, além de apontamentos críticos relativos ao cotejo com as demais edições e traduções utilizadas como suporte, incluindo a análise de incorreções identificadas, com o objetivo de contextualizar e aproximar o leitor do sentido original, como também de apresentar as dificuldades inerentes a algumas passagens que eventualmente possibilitem outras interpretações.
Cabe destacar que na segunda seção do livro, embora incomum, senão inexistente, em edições lusófonas de textos clássicos, preferiu-se seguir a tradição e apresentar o texto original comentado em latim, como também as anotações referentes às diferenças entre as edições de Bekker (1826) e Marg (1972), ambas utilizadas na tradução, a segunda, como citado, em complementação. Destaca-se que tal procedimento objetiva preservar os textos originais e suas anotações em idioma acadêmico universal, i.e., o latim. Contudo, para minimizar eventuais dificuldades do leitor não especializado, o vocabulário adotado foi intencionalmente simplificado.
Visando à plena compreensão da obra, é recomendada a leitura prévia ou conjunta com o Timeu de Platão, tendo em vista o paralelismo (inverso) com o Timeu de Locros, ou seja, Timeu de Locros depende do Timeu platônico. Ademais, para fins de verificação da divisão numérica da alma (TL 96b-c) — detalhada na seção complementar da tradução (p. 93) —, convém que o leitor disponha de recursos para cálculo (manual ou eletrônico), visto que o particionamento da alma foi proposto em termos matemáticos da teoria musical pitagórica (divisões específicas de tons e semitons), incluindo a eventual correlação com a sucessão dos raios das órbitas do círculo zodiacal do sistema astronômico da época.
Por fim, a despeito de sua relativa brevidade, a obra apresenta desafios consideráveis tanto para a tradução quanto à recepção pelo leitor, visto que tal complexidade advém da multiplicidade e profundidade de temas abordados, tais como filosofia (incluindo metafísica e ética), teologia, mitologia, ciências da natureza (como astronomia, física e química), matemática (aritmética e geometria), teoria musical, fisiologia, biologia, medicina, dentre outros.
LIVRO: INTRODUÇÃO (EXCERTO)
Timeu de Locros era, até então, a única obra do Corpus Platonicum ainda sem tradução para o português. De autoria controversa, o tratado sobre cosmologia foi atribuído tanto ao próprio Timeu de Locros (filósofo e matemático pitagórico do séc. V a.C.) como ao notório filósofo grego Platão (séc. IV a.C.), uma vez que Timeu de Locros foi personagem em dois de seus diálogos, inclusive, um deles intitulado com o seu nome: Timeu. As querelas acerca da autenticidade se prolongaram até o séc. XVII, quando então a obra foi considerada definitivamente apócrifa para ambos os autores, como também, possivelmente, nem mesmo escrita por um filósofo da antiguidade. Estudos posteriores situaram o trabalho como supostamente originário da Alexandria, redigido entre I a.C. e I d.C. Assim, tão logo considerada espúria, a obra foi progressivamente sendo “esquecida”, até não mais integrar, desde o início do século XX, as “obras completas” de Platão. O escrito representa uma retomada da cosmologia platônica e pós-platônica, inclusive com influência aristotélica, cujo interesse é partilhado tanto por estudiosos como interessados em geral em filosofia, cosmologia e religião antiga.
SUMÁRIO
- Introdução ….. 15
- Timeu de Locros: sobre a alma do mundo e da natureza ….. 21
- Τιμαιω τω λοκρω: περι ψυχας κοσμω και φυσιος – Ex ed.
Bekker – Cum notis differentiae inter Marg editio et Bekkeri
editio, et paginarum notis ex Stephanus editio ….. 53 - Timæi Locri: de anima mundi, id est natura – Ex ed.
Stephanus-Bekker ….. 75 - Resumo temático da obra Timeu de Locros e a correlação com
o Timeu de Platão …. 91 - A divisão da alma: notas complementares …. 93
- Referências …. 97
DISPONIBILIDADE E AMOSTRA
Amostra (PDF): Timeu de Locros: sobre a alma do mundo e da natureza – amostra.
Disponibilidade do livro completo – físico e digital (e-book): final de setembro a início de outubro de 2025.

